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Política Pão e Circo no Brasil. O que é e como funciona

Perguntas e respostas sobre pão e circo. De onde vem a expressão e porque ela ficou tão famosa. No Brasil onde podemos dizer que é usada essa politica?

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De onde vem a expressão pão e circo?

A expressão foi cunhada por um poeta satírico chamado Décimo Júnio Juvenal, nascido no século I d.C., que, apesar de ser aristocrata, simpatizava com os pobres.

Essas palavras podem ser reconhecidas também na carta escrita pelo imperador romano Vespasiano, em 79 d.C., a seu filho Tito, um dia antes de morrer: “ad captandum vulgus, panem et circenses”; que significa: “para seduzir o povo, pão e circo”.

Também conhecida como panem et circenses, foi um movimento muito utilizado no Império Romano, que fazia eventos em circos onde havia a distribuição de pão, como se vê em uma cena do filme Gladiador, de 2000, logo, a população tinha acesso a pão e circo, isto é, alimentação e entretenimento.

A política já era utilizada desde a crise da República romana e foi posteriormente institucionalizada pelo primeiro imperador de Roma, Otávio Augusto. Otávio investiu muito em escolas de gladiadores e anfiteatros para que o povo tivesse com o que se entreter. Um desses anfiteatros era o famoso coliseu, o “anfiteatro dos flávios”, onde eram realizadas, por exemplo, as lutas de gladiadores, as apresentações de animais exóticos e as lutas entre mulheres e anões.

Por que é tão famosa essa expressão?

Durante anos, ficou claro que essa era uma técnica de manipulação utilizada pela aristocracia romana para as massas, que se sentiam satisfeitas em ter uma alimentação básica e um entretenimento semanal. Com comida e lazer, os romanos não se interessavam em assuntos políticos, permitindo que a aristocracia mantivesse a política vigente, agindo de acordo com seus interesses para manter o status quo dos métodos de governança. Dessa forma, impediam-se revoltas do povo que viessem a abalar a estrutura do Império.

A política do pão e circo foi sempre vista por muitos como uma prática para controle das camadas populares e promoção da estabilidade do governo, isto é, da pax romana.

A fama da expressão deve-se à grande influência da cultura latina no ocidente.

Como ela se adaptou nos nossos tempos?

Das heranças da política romana para os dias de hoje, o pão e circo é muito mencionado por ser uma justificativa das formas como o entretenimento e a mídia são divulgados hoje em dia. Semelhante ao que acontecia no Império Romano, alguns críticos acreditam que as pessoas se acomodam em ter programas de entretenimento passando na televisão e uma alimentação básica no dia a dia.

Dessa forma, o raciocínio crítico não é desenvolvido, as pessoas ficam acomodadas e não buscam melhorar suas próprias condições de vida, isto é, lutar para que o dinheiro público, ao invés de ser repassado para construtoras ou desviado para o bolso de políticos, seja investido naquilo que trará benefícios à população como um todo, como hospitais, escolas e obras de saneamento básico.

Qual a polêmica por trás do pão e circo?

Para alguns, políticas de distribuição de renda e acessibilidade aos meios de informação são consideradas manobras de manipulação de massa, como a política pão e circo.

Além disso, programas sociais são vistos por muitos como uma forma de angariar votos para os partidos políticos que os desenvolvem, ao invés de serem apenas formas de assistência e caridade à população economicamente desfavorecida.

Para outros, é importante esse tipo de ação para possibilitar melhores condições de vida a quem necessita e maior acessibilidade à informação para a população. Os dois pontos de vista têm seus argumentos, e podem ser justificados para aplicar determinados pontos, porém, tudo é questão de ponto de vista atualmente.

Em 2014 e 2016, com a realização, aqui no Brasil, respectivamente, da Copa do Mundo e das Olimpíadas do Rio de janeiro, muitas pessoas tiveram o entendimento de que tais eventos, que, para os que não podiam comprar o ingresso dos jogos, foram ao ar em dezenas de canais de televisão, nada mais eram do que distrações para o povo em meio a um cenário político conturbado e caótico, no qual, deflagrada a Operação Lava Jato em março de 2014, descobriram-se inúmeros casos de corrupção.

Em junho de 2013, ocorreu a maior onda de manifestações do país desde 1992, quando houve o movimento estudantil dos caras-pintadas pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. O movimento, que ficou conhecido como “manifestações dos 20 centavos” ou “primavera brasileira”, mostrou que, mesmo com toda a manipulação da mídia, as pessoas ainda são capazes de pensar e raciocinar politicamente, indo para as ruas protestar por melhorias na saúde e na educação.

Ironicamente, tais protestos criticaram a própria política do pão e circo, mencionando os volumosos gastos de dinheiro público (cerca de 8 bilhões de reais) com a preparação de 8 estádios para a Copa do Mundo e a construção de outros 4 em Cuiabá-MT, Natal-RN, Manaus-AM, cidades que nem mesmo contam com grandes times de futebol, inutilizando os estádios no pós-copa, e Recife-PE. Cartazes como “Eu quero uma saúde padrão FIFA” são emblemas dessas manifestações.

Há outras opiniões sobre o pão e circo romano?

Nos últimos 20 anos, com base em novas pesquisas de historiadores, percebeu-se que o pão e circo não era apenas uma técnica de manipulação, mas também a forma que algumas pessoas encontraram de ajudar os mais necessitados, como uma política assistencialista. De qualquer forma, essa política acabou se distorcendo ao longo dos anos.



 
 

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